Certa vez uma raposa estava conversando com um lobo sobre a força dos homens.
- Nenhum animal - disse ela - pode resistir ao homem, por isso temos sido obrigados a usar a astúcia para nos defender.
- Mesmo assim, se algum dia deparar com um homem, eu o atacarei respondeu o lobo.
- Bem, posso ajudá-lo a fazer isso - disse a raposa. - Venha me procurar logo pela manhã e lhe mostrarei um homem!
O lobo acordou cedo e a raposa o levou a uma estrada na floresta, freqüentada diariamente por caçadores.
Primeiro passou um velho soldado dispensado do exército.
- Isso é um homem? - perguntou o lobo.
- Não - respondeu a raposa. - Foi um homem.
Depois, apareceu um menino a caminho da escola.
- Isso é um homem?
- Não! Vai ser um homem.
Finalmente o caçador apareceu, com a espingarda às costas e o facão de caça na cintura. A raposa disse ao lobo:
- Olha! Aí vem um homem. Você pode atacá-lo, mas eu vou indo para a minha toca!
O lobo atacou o homem que ao vê-lo pensou: "Que pena que não carreguei a minha espingarda com munição de verdade", e disparou uma carga de chumbinhos no focinho do lobo. A fera fez uma careta, mas não ia se assustar por tão pouco e tornou a atacá-lo. O caçador disparou uma segunda carga. O lobo engoliu a dor e tornou a investir contra ele. Mas o homem puxou seu reluzente facão de caça e golpeou a torto e a direito, e o lobo, pingando sangue, correu a procurar a raposa.
- Então, irmão lobo - disse a raposa -, como foi o encontro com o homem?
- Coitado de mim! - lamentou-se o lobo. - Nunca pensei que a força do homem fosse o que é. Primeiro ele tirou um pau do ombro, soprou dentro e bateu uma coisa na minha cara, que ardeu demais. Depois tornou a soprar e a coisa disparou raios e granizo. Por fim puxou do corpo uma costela reluzente e me golpeou até me deixar mais morto do que vivo.
- Está vendo agora - disse a raposa - como você é exibido? Machadinha atirada ao ar não torna a voltar.
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