Uma noite na primavera

Era uma vez uma mulher de nome Rengetsu. Ela estava em peregrinação, e um dia, ao pôr do sol, chegou a uma vila. Cansada e com fome, pediu hospedagem em uma casa. Foi-lhe negado o pedido, bateu numa 2ª casa, numa 3ª casa, numa 4ª. Todos os moradores fechavam-lhe as portas.

Até que ela desistiu de insistir. E vocês sabem, para uma pessoa determinada, não é muito fácil desistir de insistir. Foi justamente quando olhou em volta e encontrou uma cerejeira dos campos, decidindo fazer dela seu abrigo.

Era primavera, fazia frio, havia algum risco, animais selvagens, mas ela adormeceu ali, aconchegada nas suas raízes. À meia noite, sentindo muito frio, acordou, e viu, no céu noturno da primavera, iluminado pelo prateado da lua, um pouco coberto pela névoa, um grande espetáculo da natureza: todas as flores brancas da cerejeira tinham se tornando completamente abertas, exalando um maravilhoso perfume.

Tomada por tanta beleza, Rengetsu, levantou-se e fez uma reverência em direção à vila, saudando os moradores, com gratidão.

– Por sua enorme bondade em me recusarem hospedagem, encontrei-me sob essas flores, sob esse luar em névoa, nesse absoluto silêncio da noite.

Rengetsu compreendeu, então, que uma porta aparentemente fechada, pode esconder uma abertura para outras oportunidades. Basta para isso, mudar o ponto de vista! – a vista de um ponto – que permite olhar o problema por ângulos ainda não contemplados.

E aprendeu, mais uma vez que uma nova dor, diferente das já vividas no passado, mostra que o aprendizado é infinito.

 

Autor desconhecido
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