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O arrependimento da velha mãe

Há muito tempo, uma velha estava sentada sozinha, ao cair da tarde. Justamente naquele dia, havia morrido sua última amiga, deixando-a sozinha, sem parentes ou pessoas em quem confiar e, em sua dor, recordava os muitos infortúnios por que passara, através dos anos. Primeiro havia morrido um filho, depois o outro, quando ainda eram crianças. Posteriormente, o marido – seguido de uma tia, de uma irmã e de todos os seus parentes, um a um. Agora estava sozinha e empobrecida. E sua desventura, a velha mãe amaldiçoou o destino e voltou-se então contra Deus. – O que eu fiz para merecer isso? – lamentou-se.

O bimbalhar dos sinos da igreja a acordaram e ela levantou-se, surpresa.- Dormi a noite inteira sentada na cadeira! – exclamou. Correu logo para a igreja, como fizera todas as manhãs de sua vida. Quando chegou à capela, espantou ao constatar que ela não estava, como de costume, vazia. Os bancos estavam cheios de gente e a velha mãe se sentiu pouco à vontade, pois não reconhecia ninguém de sua aldeia. Então deu-se conta de que os fiéis ali presentes eram amigos e parentes que já haviam morrido!
Nesse momento, uma tia aproximou-se e disse à velha que olhasse para o lado do altar. Lá, a velha divisou dois moços, um pendurado na forca e outro amarrado na roda, ambos criminosos e fora da lei. – Isso é o que seus filhos teriam sido – disse a tia – se o bom Deus não os tivesse levado para o céu, ainda inocentes. A velha mãe encheu-se de arrependimento e gratidão e correu para casa, tremendo de emoção. Chegando lá, caiu de joelhos e agradeceu a Deus pela graça que antes não soubera ver. No terceiro dia, ela morreu, mas seu olhar estava tão calmo que os vizinhos se confessaram maravilhados quando chegaram para enterrá-la.

Conto alemão
Extraído de: …e foram felizes para sempre
Recolhido por: Allan B. Chinen

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